Jeremias 3–4
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3 A infidelidade do povo
O Senhor Deus diz:
— Se um homem se divorciar da sua mulher, e ela o deixar para casar com outro, o primeiro marido não poderá casar com ela outra vez. Isso mancharia completamente a terra de Israel. Mas você, meu povo, tem tido muitos amantes e agora quer voltar para mim! Sou eu, o Senhor, quem está falando.Olhe para o alto dos montes e veja: será que existe algum lugar onde você não agiu como prostituta? Você ficava na beira da estrada esperando os fregueses, como um árabe que espera no deserto para assaltar alguém. Você manchou a terra de Israel com a sua prostituição e os seus vícios.É por isso que não tem chovido, e as chuvas da primavera deixaram de cair. Mas você tem até jeito de prostituta e mostrou que não tem vergonha.
— E agora você me diz: “Tu és o meu pai, tu me tens amado desde que eu era criança.Tu não ficarás com raiva de mim para sempre.” Povo de Israel, foi isso o que você disse, mas continuou fazendo todo mal que podia.
A necessidade do arrependimento
No tempo do rei Josias, o Senhor Deus me disse:
— Você está vendo o que fez Israeld , aquela mulher infiel que virou as costas para mim? Ela subiu em todos os montes altos e ficou debaixo de todas as árvores que dão sombra, agindo como prostituta.3Eu, o Senhor, pensei assim: “Depois de fazer tudo isso, com toda a certeza ela voltará para mim.” Porém não voltou, e Judá, a sua irmã infiel, viu isso.Judá também sabe que eu me divorciei de Israel e que a mandei embora porque ela me abandonou e virou prostituta. Mas Judá, a sua irmã infiel, não ficou com medo. Ela também virou prostitutae não ficou envergonhada. Ela manchou a sua terra porque cometeu adultério, adorando pedras e árvores.E o pior de tudo é que Judá, a infiel irmã de Israel, só fingiu que voltava para mim: ela não foi sincera. Eu, o Senhor, estou falando.
Aí Deus me disse que, embora o povo de Israel o tivesse abandonado, ainda era menos culpado do que a infiel Judá.Ele mandou que eu fosse até o Norte e dissesse ao povo:
— Ó Israel infiel, volte para mim. Sou eu, o Senhor, quem está falando. Sou bondoso e por isso não ficarei com raiva de você, não ficarei irado para sempre. Sou eu, o Senhor, quem está falando.Basta você reconhecer que é culpada e que se revoltou contra o Senhor, seu Deus. Confesse que debaixo de todas as árvores que dão sombra você deu o seu amor a deuses estrangeiros e não me obedeceu. Eu, o Senhor, estou falando.
O convite ao arrependimento
O Senhor Deus diz:
— Volte, povo infiel, pois vocês são meus. Eu vou pegar vocês, um de cada cidade e dois de cada grupo de famílias, e vou levá-los de volta ao monte Sião.Eu darei a vocês líderes que me obedeçam, e eles governarão com sabedoria e inteligência.Então, quando vocês se tornarem um povo numeroso naquela terra, ninguém mais falará a respeito da arca da aliança. Vocês não pensarão mais na arca, nem lembrarão dela; não precisarão dela, nem farão outra.E aí, quando chegar o tempo certo, Jerusalém será chamada de “Trono do Senhor Deus”, e todas as nações se reunirão ali em meu nome. Não farão mais aquilo que os seus corações teimosos e maus mandarem.O povo de Israel se unirá com o de Judá, e eles voltarão juntos da terra do Norteepara a terra que dei aos seus antepassados.
O abandono da idolatria
O Senhor Deus diz:
“Povo de Israel,
eu queria aceitá-lo como meu filho
e lhe dar uma terra agradável,
a terra mais linda do mundo.
Pensei que você ia me chamar de pai
e que nunca mais me abandonaria.
Mas, como a mulher que trai o marido,
assim você me traiu.
Sou eu, o Senhor, quem está falando.”
No alto dos montes, se ouve um barulho;
são os israelitas chorando
e pedindo perdão
porque têm vivido uma vida de pecado
e têm esquecido o Senhor, seu Deus.
Voltem, todos vocês que abandonaram o Senhor,
pois ele vai curar a sua infidelidade.
Vocês dizem:
— Sim! Estamos voltando para o Senhor, pois ele é o Senhor, nosso Deus.Não recebemos nenhuma ajuda dos deuses pagãos que temos adorado com gritos no alto das montanhas. Só o nosso Deus, o Senhor, pode ajudar o povo de Israel.Por termos adorado Baal, o deus da vergonha, perdemos tudo o que os nossos pais conseguiram desde que éramos crianças, isto é, as ovelhas, o gado, os filhos e as filhas.Vamos nos humilhar; vamos ficar cheios de vergonha. Desde o tempo em que o Senhor nos tirou do Egito, nós e os nossos antepassados temos pecado contra ele e não lhe temos obedecido.
4 A volta a Deus
O Senhor Deus diz:
— Povo de Israel, se você vai voltar, volte para mim. Eu odeio os ídolos; acabe com eles e seja fiel a mim.Então, sim, você estará sendo verdadeiro, correto e honesto quando jurar pelo meu nome. Todas as nações pedirão que eu as abençoe e elas me louvarão.
Deus diz aos homens da tribo de Judá e da cidade de Jerusalém:
— Passem o arado na terra que não foi preparada para plantar e não semeiem as sementes no meio de espinhos.4Povo de Judá e moradores de Jerusalém, sejam fiéis à aliança que fizeram comigo, o Senhor, e se dediquem a mim de todo o coração; se não, a minha ira queimará como fogo. E, por causa das maldades que vocês têm feito, o meu furor será como fogo, e ninguém poderá apagá-lo.
A ameaça de invasão
Toquem a corneta em toda a terra!
Gritem bem alto e bem claro!
Digam ao povo de Judá e de Jerusalém
que corra para as cidades protegidas por muralhas.
Mostrem o caminho que vai a Sião!
Corram para os abrigos!
Não demorem!
Do Norte, Deus vai trazer desgraça e grande destruição.
Como um leão que sai do seu esconderijo,
um destruidor de nações vem vindo
para acabar com o povo de Judá.
As cidades de Judá serão destruídas,
e ninguém morará nelas.
Portanto, vistam roupa feita de pano grosseiro como sinal de tristeza.
Lamentem e chorem,
pois o fogo da ira de Deus não se desviou de Judá.
O Senhor Deus disse:
— Naquele dia, os reis e as autoridades perderão a coragem, os sacerdotes ficarão abalados e os profetas ficarão admirados.
Então eu disse:
— Ó Senhor, meu Deus, tu enganaste completamente o povo de Jerusalém! Disseste que ia haver paz, mas o que há é uma espada encostada na garganta deles.
Está chegando o tempo de dizer ao povo de Jerusalém que do deserto um vento muito quente vai soprar sobre o povo de Deus. Não será o vento fraco que separa a palha do trigo.O vento que vem mandado por Deus será muito forte. Agora, é Deus mesmo que está dando a sentença contra o seu povo.
O ataque contra Judá
Olhem! Os inimigos vêm vindo como nuvens. Os seus carros de guerra são como uma forte ventania, e os seus cavalos são mais rápidos do que as águias. Estamos perdidos! Estamos acabados!
Jerusalém, limpe a maldade do seu coração para que você seja salva. Até quando você vai continuar com os seus maus pensamentos?
Mensageiros da cidade de Dã e das montanhas de Efraim anunciam as más notícias da invasão.Eles mandam avisar as nações e dizer a Jerusalém que os inimigos vêm vindo de um país distante e que eles vão dar o seu grito de guerra contra as cidades de Judá.Eles vão cercar Jerusalém como homens que guardam uma plantação, pois a nossa nação se revoltou contra Deus, o Senhor.
Judá, você trouxe esse mal para você mesmo por causa do seu modo de viver, por causa das coisas que tem feito. O seu pecado trouxe esse sofrimento e feriu o seu próprio coração. Eu, o Senhor, estou falando.
A tristeza de Jeremias por causa do seu povo
Que dor!
Não posso suportar tanta dor!
Ah! meu coração!
O meu coração está batendo forte!
Não posso ficar calado,
pois ouvi a corneta e os gritos de guerra.
Uma desgraça vem atrás da outra;
o país inteiro está arrasado.
De repente, as nossas barracas são destruídas,
e as suas cortinas são rasgadas em pedaços.
Até quando terei de ver as bandeiras inimigas
e ouvir o som da corneta na batalha?
Deus diz:
“O meu povo não tem juízo
e não me conhece.
Eles são como crianças tolas
que não compreendem as coisas.
Para fazer o mal, são espertos,
mas não sabem fazer o bem.”
A destruição futura
Então olhei.
A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente,
e no céu não havia luz.
Olhei para as montanhas,
e elas estavam tremendo;
e os montes balançavam para lá e para cá.
Vi que não havia ninguém
e que até os passarinhos tinham fugido.
Vi ainda que a terra boa tinha virado um deserto
e que as cidades tinham sido arrasadas por Deus,
por causa do seu grande furor.
Deus disse que a terra toda vai virar um deserto,
mas ele não a destruirá completamente.
A terra chorará,
e o céu ficará escuro,
pois Deus falou
e não mudará de idéia.
Ele já decidiu
e não voltará atrás.
Quando ouvirem o barulho dos cavaleiros
e dos atiradores de flechas,
todos sairão correndo.
Alguns fugirão para a floresta,
e outros subirão pelas rochas.
Todas as cidades ficarão vazias,
e ninguém morará nelas.
Jerusalém, você está condenada!
Por que se veste de vermelho?
Por que usa jóias e pinta os olhos?
Não adianta nada você querer ficar bonita!
Os seus amantes a rejeitaram,
e o que eles querem é matá-la.
Ouvi um grito igual ao de uma mulher com dores de parto,
um grito como o de uma mulher dando à luz o seu primeiro filho.
Era o grito de Jerusalém
respirando com dificuldade,
estendendo as mãos em desespero e dizendo:
“Estou perdida!
Eles vêm vindo para me matar!”
Footnotes
Cross references
- 33.6 2 Rs 22:1–23:30; 2 Cr 34:1–35:27
- 44.3 Os 10:12
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