Logos Bible Study

Marcos 4–5

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A parábola do semeador

41Voltou Jesus a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de modo que entrou num barcoa, onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia. 2Assim, lhes ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu doutrinamento. 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. 5Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. 6Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. 8Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um. 9E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

10Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. 11Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, 12para que, vendo, vejamb e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles. 13Então, lhes perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? 14O semeador semeia a palavra. 15São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles. 16Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. 17Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, 19mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. 20Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

21Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no veladorc? 22Pois nada está ocultod, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 24Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medidoe vos medirão também, e ainda se vos acrescentará. 25Pois ao que temf se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

26Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; 27depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. 28A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

30Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.

33E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

35Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. 36E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. 37Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. 38E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. 40Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? 41E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

A cura do endemoninhado geraseno

51Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. 2Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo, 3o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo; 4porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo. 5Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras. 6Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou, 7exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem! 9E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país. 11Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos. 12E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles. 13Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. 14Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos.

Então, saiu o povo para ver o que sucedera. 15Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. 16Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. 17E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. 18Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. 20Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.

21Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar. 22Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés 23e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá. 24Jesus foi com ele.

Grande multidão o seguia, comprimindo-o.

25Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia 26e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, 27tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. 28Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. 29E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo. 30Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? 31Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? 32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto. 33Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. 34E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.

35Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre? 36Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente. 37Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João. 38Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito. 39Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme. 40E riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. 41Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! 42Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados. 43Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.

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Cross references

  1. aLc 5:1–3
  2. bIs 6:9–10
  3. cMt 5:15; Lc 11:33
  4. dMt 10:26; Lc 12:2
  5. eMt 7:2; Lc 6:38
  6. fMt 13:12; 25:29; Lc 19:26