Jó 39–41
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391Sabes tu o tempo em que as cabras monteses têm os filhos
ou cuidaste das corças quando dão suas crias?
2Podes contar os meses que cumprem?
Ou sabes o tempo do seu parto?
3Elas encurvam-se, para terem seus filhos,
e lançam de si as suas dores.
4Seus filhos se tornam robustos, crescem no campo aberto,
saem e nunca mais tornam para elas.
5Quem despediu livre o jumento selvagem,
e quem soltou as prisões ao asno veloz,
6ao qual dei o ermo por casa
e a terra salgada por moradas?
7Ri-se do tumulto da cidade,
não ouve os muitos gritos do arrieiro.
8Os montes são o lugar do seu pasto,
e anda à procura de tudo o que está verde.
9Acaso, quer o boi selvagem servir-te?
Ou passará ele a noite junto da tua manjedoura?
10Porventura, podes prendê-lo ao sulco com cordas?
Ou gradará ele os vales após ti?
11Confiarás nele, por ser grande a sua força,
ou deixarás a seu cuidado o teu trabalho?
12Fiarás dele que te traga para a casa o que semeaste
e o recolha na tua eira?
13O avestruz bate alegre as asas;
acaso, porém, tem asas e penas de bondade?
14Ele deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,
15e se esquece de que algum pé os pode esmagar
ou de que podem pisá-los os animais do campo.
16Trata com dureza os seus filhos, como se não fossem seus;
embora seja em vão o seu trabalho, ele está tranquilo,
17porque Deus lhe negou sabedoria
e não lhe deu entendimento;
18mas, quando de um salto se levanta para correr,
ri-se do cavalo e do cavaleiro.
19Ou dás tu força ao cavalo
ou revestirás o seu pescoço de crinas?
20Acaso, o fazes pular como ao gafanhoto?
Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.
21Escarva no vale, folga na sua força
e sai ao encontro dos armados.
22Ri-se do temor e não se espanta;
e não torna atrás por causa da espada.
23Sobre ele chocalha a aljava,
flameja a lança e o dardo.
24De fúria e ira devora o caminho
e não se contém ao som da trombeta.
25Em cada sonido da trombeta, ele diz: Avante!
Cheira de longe a batalha,
o trovão dos príncipes e o alarido.
26Ou é pela tua inteligência que voa o falcão,
estendendo as asas para o Sul?
27Ou é pelo teu mandado que se remonta a águia
e faz alto o seu ninho?
28Habita no penhasco onde faz a sua morada,
sobre o cimo do penhasco, em lugar seguro.
29Dali, descobre a presa;
seus olhos a avistam de longe.
30Seus filhos chupam sangue;
onde há mortos, ela aí está.
401Disse mais o Senhor a Jó:
2Acaso, quem usa de censuras contenderá com o Todo-Poderoso?
Quem assim argui a Deus que responda.
3Então, Jó respondeu ao Senhor e disse:
4Sou indigno; que te responderia eu?
Ponho a mão na minha boca.
5Uma vez falei e não replicarei,
aliás, duas vezes, porém não prosseguirei.
6Então, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó:
7Cinge agora os lombos como homem;
eu te perguntarei, e tu me responderás.
8Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo?
Ou me condenarás, para te justificares?
9Ou tens braço como Deus
ou podes trovejar com a voz como ele o faz?
10Orna-te, pois, de excelência e grandeza,
veste-te de majestade e de glória.
11Derrama as torrentes da tua ira
e atenta para todo soberbo e abate-o.
12Olha para todo soberbo e humilha-o,
calca aos pés os perversos no seu lugar.
13Cobre-os juntamente no pó,
encerra-lhes o rosto no sepulcro.
14Então, também eu confessarei a teu respeito
que a tua mão direita te dá vitória.
15Contempla agora o hipopótamo, que eu criei contigo,
que come a erva como o boi.
16Sua força está nos seus lombos,
e o seu poder, nos músculos do seu ventre.
17Endurece a sua cauda como cedro;
os tendões das suas coxas estão entretecidos.
18Os seus ossos são como tubos de bronze,
o seu arcabouço, como barras de ferro.
19Ele é obra-prima dos feitos de Deus;
quem o fez o proveu de espada.
20Em verdade, os montes lhe produzem pasto,
onde todos os animais do campo folgam.
21Deita-se debaixo dos lotos,
no esconderijo dos canaviais e da lama.
22Os lotos o cobrem com sua sombra;
os salgueiros do ribeiro o cercam.
23Se um rio transborda, ele não se apressa;
fica tranquilo ainda que o Jordão se levante até à sua boca.
24Acaso, pode alguém apanhá-lo quando ele está olhando?
Ou lhe meter um laço pelo nariz?
411Podes tu, com anzol, apanhar o crocodiloa
ou lhe travar a língua com uma corda?
2Podes meter-lhe no nariz uma vara de junco?
Ou furar-lhe as bochechas com um gancho?
3Acaso, te fará muitas súplicas?
Ou te falará palavras brandas?
4Fará ele acordo contigo?
Ou tomá-lo-ás por servo para sempre?
5Brincarás com ele, como se fora um passarinho?
Ou tê-lo-ás preso à correia para as tuas meninas?
6Acaso, os teus sócios negociam com ele?
Ou o repartirão entre os mercadores?
7Encher-lhe-ás a pele de arpões?
Ou a cabeça, de farpas?
8Põe a mão sobre ele,
lembra-te da peleja e nunca mais o intentarás.
9Eis que a gente se engana em sua esperança;
acaso, não será o homem derribado só em vê-lo?
10Ninguém há tão ousado, que se atreva a despertá-lo.
Quem é, pois, aquele que pode erguer-se diante de mim?
11Quem primeiro me deu a mimb, para que eu haja de retribuir-lhe?
Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.
12Não me calarei a respeito dos seus membros,
nem da sua grande força, nem da graça da sua compostura.
13Quem lhe abrirá as vestes do seu dorso?
Ou lhe penetrará a couraça dobrada?
14Quem abriria as portas do seu rosto?
Pois em roda dos seus dentes está o terror.
15As fileiras de suas escamas são o seu orgulho,
cada uma bem encostada como por um selo que as ajusta.
16A tal ponto uma se chega à outra,
que entre elas não entra nem o ar.
17Umas às outras se ligam,
aderem entre si e não se podem separar.
18Cada um dos seus espirros faz resplandecer luz,
e os seus olhos são como as pestanas da alva.
19Da sua boca saem tochas;
faíscas de fogo saltam dela.
20Das suas narinas procede fumaça,
como de uma panela fervente ou de juncos que ardem.
21O seu hálito faz incender os carvões;
e da sua boca sai chama.
22No seu pescoço reside a força;
e diante dele salta o desespero.
23Suas partes carnudas são bem pegadas entre si;
todas fundidas nele e imóveis.
24O seu coração é firme como uma pedra,
firme como a mó de baixo.
25Levantando-se ele, tremem os valentes;
quando irrompe, ficam como que fora de si.
26Se o golpe de espada o alcança, de nada vale,
nem de lança, de dardo ou de flecha.
27Para ele, o ferro é palha,
e o cobre, pau podre.
28A seta o não faz fugir;
as pedras das fundas se lhe tornam em restolho.
29Os porretes atirados são para ele como palha,
e ri-se do brandir da lança.
30Debaixo do ventre, há escamas pontiagudas;
arrasta-se sobre a lama, como um instrumento de debulhar.
31As profundezas faz ferver, como uma panela;
torna o mar como caldeira de unguento.
32Após si, deixa um sulco luminoso;
o abismo parece ter-se encanecido.
33Na terra, não tem ele igual,
pois foi feito para nunca ter medo.
34Ele olha com desprezo tudo o que é alto;
é rei sobre todos os animais orgulhosos.
Cross references
Copyright 1993 Sociedade Bíblica do Brasil