Cântico 1–8
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11 Cântico dos cânticosa de Salomão.
Esposa
2Beija-me com os beijos de tua boca;
porque melhor é o teu amor do que o vinho.
3Suave é o aroma dos teus unguentos,
como unguento derramado é o teu nome;
por isso, as donzelas te amam.
4Leva-me após ti, apressemo-nos.
O rei me introduziu nas suas recâmaras.
Coro
Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos;
do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho;
não é sem razão que te amam.
Esposa
5Eu estou morena e formosa,
ó filhas de Jerusalém,
como as tendas de Quedar,
como as cortinas de Salomão.
6Não olheis para o eu estar morena,
porque o sol me queimou.
Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim
e me puseram por guarda de vinhas;
a vinha, porém, que me pertence, não a guardei.
7Dize-me, ó amado de minha alma:
onde apascentas o teu rebanho,
onde o fazes repousar pelo meio-dia,
para que não ande eu vagando
junto ao rebanho dos teus companheiros?
Esposo
8Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres,
sai-te pelas pisadas dos rebanhos
e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.
9Às éguas dos carros de Faraó
te comparo, ó querida minha.
10Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites,
o teu pescoço, com os colares.
11Enfeites de ouro te faremos,
com incrustações de prata.
Esposa
12Enquanto o rei está assentado à sua mesa,
o meu nardo exala o seu perfume.
13O meu amado é para mim um saquitel de mirra,
posto entre os meus seios.
14Como um racimo de flores de hena nas vinhas de En-Gedi,
é para mim o meu amado.
Esposo
15Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa;
os teus olhos são como os das pombas.
Esposa
16Como és formoso, amado meu,
como és amável!
O nosso leito é de viçosas folhas,
17as traves da nossa casa são de cedro,
e os seus caibros, de cipreste.
21Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
Esposo
2Qual o lírio entre os espinhos,
tal é a minha querida entre as donzelas.
Esposa
3Qual a macieira entre as árvores do bosque,
tal é o meu amado entre os jovens;
desejo muito a sua sombra
e debaixo dela me assento,
e o seu fruto é doce ao meu paladar.
4Leva-me à sala do banquete,
e o seu estandarte sobre mim é o amor.
5Sustentai-me com passas,
confortai-me com maçãs,
pois desfaleço de amor.
6A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça,
e a direita me abrace.
7Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas e cervas do campo,
que não acordeis, nem desperteis o amor,
até que este o queira.
8Ouço a voz do meu amado;
ei-lo aí galgando os montes,
pulando sobre os outeiros.
9O meu amado é semelhante ao gamo
ou ao filho da gazela;
eis que está detrás da nossa parede,
olhando pelas janelas,
espreitando pelas grades.
10O meu amado fala e me diz:
Esposo
Levanta-te, querida minha,
formosa minha, e vem.
11Porque eis que passou o inverno,
cessou a chuva e se foi;
12aparecem as flores na terra,
chegou o tempo de cantarem as aves,
e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
13A figueira começou a dar seus figos,
e as vides em flor exalam o seu aroma;
levanta-te, querida minha,
formosa minha, e vem.
14Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos,
no esconderijo das rochas escarpadas,
mostra-me o rosto,
faze-me ouvir a tua voz,
porque a tua voz é doce,
e o teu rosto, amável.
Esposa
15Apanhai-me as raposas,
as raposinhas, que devastam os vinhedos,
porque as nossas vinhas estão em flor.
16O meu amado é meu, e eu sou dele;
ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
17Antes que refresque o dia
e fujam as sombras,
volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo
ou ao filho das gazelas sobre os montes escabrosos.
31De noite, no meu leito,
busquei o amado de minha alma,
busquei-o e não o achei.
2Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade,
pelas ruas e pelas praças;
buscarei o amado da minha alma.
Busquei-o e não o achei.
3Encontraram-me os guardas, que rondavam pela cidade.
Então, lhes perguntei: vistes o amado da minha alma?
4Mal os deixei, encontrei logo o amado da minha alma;
agarrei-me a ele e não o deixei ir embora,
até que o fiz entrar em casa de minha mãe
e na recâmara daquela que me concebeu.
5Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas e cervas do campo,
que não acordeis, nem desperteis o amor,
até que este o queira.
Coro
6Que é isso que sobe do deserto,
como colunas de fumaça,
perfumado de mirra, e de incenso,
e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?
7É a liteira de Salomão;
sessenta valentes estão ao redor dela,
dos valentes de Israel.
8Todos sabem manejar a espada
e são destros na guerra;
cada um leva a espada à cinta,
por causa dos temores noturnos.
9O rei Salomão fez para si
um palanquim de madeira do Líbano.
10Fez-lhe as colunas de prata,
a espalda de ouro, o assento de púrpura,
e tudo interiormente ornado
com amor pelas filhas de Jerusalém.
11Saí, ó filhas de Sião,
e contemplai ao rei Salomão com a coroa
com que sua mãe o coroou
no dia do seu desposório,
no dia do júbilo do seu coração.
Esposo
41Como és formosa, querida minha,
como és formosa!
Os teus olhos são como os das pombas
e brilham através do teu véu.
Os teus cabelos são como o rebanho de cabras
que descem ondeantes do monte de Gileade.
2São os teus dentes como o rebanho das ovelhas recém-tosquiadas,
que sobem do lavadouro,
e das quais todas produzem gêmeos,
e nenhuma delas há sem crias.
3Os teus lábios são como um fio de escarlata,
e tua boca é formosa;
as tuas faces, como romã partida,
brilham através do véu.
4O teu pescoço é como a torre de Davi,
edificada para arsenal;
mil escudos pendem dela,
todos broquéis de soldados valorosos.
5Os teus dois seios são como duas crias,
gêmeas de uma gazela,
que se apascentam entre os lírios.
Esposa
6Antes que refresque o dia,
e fujam as sombras,
irei ao monte da mirra
e ao outeiro do incenso.
Esposo
7Tu és toda formosa, querida minha,
e em ti não há defeito.
8Vem comigo do Líbano, noiva minha,
vem comigo do Líbano;
olha do cimo do Amana,
do cimo do Senir e do Hermom,
dos covis dos leões,
dos montes dos leopardos.
9Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha;
arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares,
com uma só pérola do teu colar.
10Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva minha!
Quanto melhor é o teu amor do que o vinho,
e o aroma dos teus unguentos do que toda sorte de especiarias!
11Os teus lábios, noiva minha, destilam mel.
Mel e leite se acham debaixo da tua língua,
e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano.
12Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha,
manancial recluso, fonte selada.
13Os teus renovos são um pomar de romãs,
com frutos excelentes: a hena e o nardo;
14o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo,
com toda a sorte de árvores de incenso,
a mirra e o aloés,
com todas as principais especiarias.
15És fonte dos jardins, poço das águas vivas,
torrentes que correm do Líbano!
Esposa
16Levanta-te, vento norte,
e vem tu, vento sul;
assopra no meu jardim,
para que se derramem os seus aromas.
Ah! Venha o meu amado para o seu jardim
e coma os seus frutos excelentes!
Esposo
51Já entrei no meu jardim, minha irmã, noiva minha;
colhi a minha mirra com a especiaria,
comi o meu favo com o mel,
bebi o meu vinho com o leite.
Comei e bebei, amigos;
bebei fartamente, ó amados.
Esposa
2Eu dormia, mas o meu coração velava;
eis a voz do meu amado, que está batendo:
Esposo
Abre-me, minha irmã, querida minha,
pomba minha, imaculada minha,
porque a minha cabeça está cheia de orvalho,
os meus cabelos, das gotas da noite.
Esposa
3Já despi a minha túnica,
hei de vesti-la outra vez?
Já lavei os pés,
tornarei a sujá-los?
4O meu amado meteu a mão por uma fresta,
e o meu coração se comoveu por amor dele.
5Levantei-me para abrir ao meu amado;
as minhas mãos destilavam mirra,
e os meus dedos mirra preciosa
sobre a maçaneta do ferrolho.
6Abri ao meu amado,
mas já ele se retirara e tinha ido embora;
a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou;
busquei-o e não o achei;
chamei-o, e não me respondeu.
7Encontraram-me os guardas
que rondavam pela cidade;
espancaram-me e feriram-me;
tiraram-me o manto os guardas dos muros.
8Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
se encontrardes o meu amado,
que lhe direis?
Que desfaleço de amor.
Coro
9Que é o teu amado mais do que outro amado,
ó tu, a mais formosa entre as mulheres?
Que é o teu amado mais do que outro amado,
que tanto nos conjuras?
Esposa
10O meu amado é alvo e rosado,
o mais distinguido entre dez mil.
11A sua cabeça é como o ouro mais apurado,
os seus cabelos, cachos de palmeira,
são pretos como o corvo.
12Os seus olhos são como os das pombas
junto às correntes das águas,
lavados em leite,
postos em engaste.
13As suas faces são como um canteiro de bálsamo,
como colinas de ervas aromáticas;
os seus lábios são lírios
que gotejam mirra preciosa;
14as suas mãos, cilindros de ouro,
embutidos de jacintos;
o seu ventre, como alvo marfim,
coberto de safiras.
15As suas pernas, colunas de mármore,
assentadas em bases de ouro puro;
o seu aspecto, como o Líbano,
esbelto como os cedros.
16O seu falar é muitíssimo doce;
sim, ele é totalmente desejável.
Tal é o meu amado, tal, o meu esposo,
ó filhas de Jerusalém.
Coro
61Para onde foi o teu amado,
ó mais formosa entre as mulheres?
Que rumo tomou o teu amado?
E o buscaremos contigo.
Esposa
2O meu amado desceu ao seu jardim,
aos canteiros de bálsamo,
para pastorear nos jardins
e para colher os lírios.
3Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;
ele pastoreia entre os lírios.
Esposo
4Formosa és, querida minha, como Tirza,
aprazível como Jerusalém,
formidável como um exército com bandeiras.
5Desvia de mim os olhos,
porque eles me perturbam.
Os teus cabelos descem ondeantes
como o rebanho das cabras de Gileade.
6São os teus dentes como o rebanho de ovelhas
que sobem do lavadouro,
e das quais todas produzem gêmeos,
e nenhuma delas há sem crias.
7As tuas faces, como romã partida,
brilham através do véu.
8Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas,
e as virgens, sem número.
9Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada,
de sua mãe, a única,
a predileta daquela…
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