Mateus 19–20
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Jesus atravessa o Jordão
191E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, deixou a Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão. 2Seguiram-no muitas multidões, e curou-as ali.
3Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? 4Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulhera 5e que disse:
Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carneb?
6De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. 7Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisésc dar carta de divórcio e repudiar? 8Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. 9Eu, porém, vos digo: quem repudiard sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério]. 10Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar. 11Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. 12Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita.
13Trouxeram-lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam. 14Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. 15E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali.
16E eis que alguém, aproximando-se, lhe perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? 17Respondeu-lhe Jesus: Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. 18E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu Jesus: Não mataráse, não adulterarásf, não furtarásg, não dirás falso testemunhoh; 19honra a teu pai e a tua mãei e amarás o teu próximoj como a ti mesmo. 20Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? 21Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. 22Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.
23Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. 24E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 25Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? 26Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível. 27Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós? 28Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentark no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronosl para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe [ou mulher], ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna. 30Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimosm, primeiros.
A parábola dos trabalhadores na vinha
201Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha. 2E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. 3Saindo pela terceira hora, viu, na praça, outros que estavam desocupados 4e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo. Eles foram. 5Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma, 6e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo? 7Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então, lhes disse ele: Ide também vós para a vinha. 8Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salárioa, começando pelos últimos, indo até aos primeiros. 9Vindo os da hora undécima, recebeu cada um deles um denário. 10Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um. 11Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa, 12dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. 13Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? 14Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. 15Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? 16Assim, os últimos serão primeirosb, e os primeiros serão últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos].
17Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse: 18Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. 19E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá.
20Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. 21Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda. 22Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. 23Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai. 24Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos. 25Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. 26Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 27e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; c 28tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.d
29Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. 30E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós! 31Mas a multidão os repreendia para que se calassem; eles, porém, gritavam cada vez mais: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! 32Então, parando Jesus, chamou-os e perguntou: Que quereis que eu vos faça? 33Responderam: Senhor, que se nos abram os olhos. 34Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo.
Referências cruzadas
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