Deuteronômio 32.1–43
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321Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei;
e ouça a terra as palavras da minha boca.
2Goteje a minha doutrina como a chuva,
destile a minha palavra como o orvalho,
como chuvisco sobre a relva
e como gotas de água sobre a erva.
3Porque proclamarei o nome do Senhor.
Engrandecei o nosso Deus.
4Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas,
porque todos os seus caminhos são juízo;
Deus é fidelidade, e não há nele injustiça;
é justo e reto.
5Procederam corruptamente contra ele,
já não são seus filhos, e sim suas manchas;
é geração perversa e deformada.
6É assim que recompensas ao Senhor,
povo louco e ignorante?
Não é ele teu pai, que te adquiriu,
te fez e te estabeleceu?
7Lembra-te dos dias da antiguidade,
atenta para os anos de gerações e gerações;
pergunta a teu pai, e ele te informará,
aos teus anciãos, e eles to dirão.
8Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações,
quando separava os filhos dos homens uns dos outros,
fixou os limites dos povos,
segundo o número dos filhos de Israel.
9Porque a porção do Senhor é o seu povo;
Jacó é a parte da sua herança.
10Achou-o numa terra deserta
e num ermo solitário povoado de uivos;
rodeou-o e cuidou dele,
guardou-o como a menina dos olhos.
11Como a águia desperta a sua ninhada
e voeja sobre os seus filhotes,
estende as asas e, tomando-os,
os leva sobre elas,
12assim, só o Senhor o guiou,
e não havia com ele deus estranho.
13Ele o fez cavalgar sobre os altos da terra,
comer as messes do campo,
chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira,
14coalhada de vacas e leite de ovelhas,
com a gordura dos cordeiros,
dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes,
com o mais escolhido trigo;
e bebeste o sangue das uvas, o mosto.
15Mas, engordando-se o meu amado, deu coices;
engordou-se, engrossou-se, ficou nédio
e abandonou a Deus, que o fez,
desprezou a Rocha da sua salvação.
16Com deuses estranhos o provocaram a zelos,
com abominações o irritaram.
17Sacrifícios ofereceram aos demôniosa, não a Deus;
a deuses que não conheceram,
novos deuses que vieram há pouco,
dos quais não se estremeceram seus pais.
18Olvidaste a Rocha que te gerou;
e te esqueceste do Deus que te deu o ser.
19Viu isto o Senhor e os desprezou,
por causa da provocação de seus filhos e suas filhas;
20e disse: Esconderei deles o rosto,
verei qual será o seu fim;
porque são raça de perversidade,
filhos em quem não há lealdade.
21A zelos me provocaramb com aquilo que não é Deus;
com seus ídolos me provocaram à ira;
portanto, eu os provocarei a zelosc com aquele que não é povo;
com louca nação os despertarei à ira.
22Porque um fogo se acendeu no meu furor
e arderá até ao mais profundo do inferno,
consumirá a terra e suas messes
e abrasará os fundamentos dos montes.
23Amontoarei males sobre eles;
as minhas setas esgotarei contra eles.
24Consumidos serão pela fome,
devorados pela febre e peste violenta;
e contra eles enviarei dentes de feras
e ardente peçonha de serpentes do pó.
25Fora devastará a espada,
em casa, o pavor,
tanto ao jovem como à virgem,
tanto à criança de peito como ao homem encanecido.
26Eu teria dito: Por todos os cantos os espalharei
e farei cessar a sua memória dentre os homens,
27se eu não tivesse receado a provocação do inimigo,
para que os seus adversários não se iludam,
para que não digam: A nossa mão tem prevalecido,
e não foi o Senhor quem fez tudo isto.
28Porque o meu povo é gente falta de conselhos,
e neles não há entendimento.
29Tomara fossem eles sábios! Então, entenderiam isto
e atentariam para o seu fim.
30Como poderia um só perseguir mil,
e dois fazerem fugir dez mil,
se a sua Rocha lhos não vendera,
e o Senhor lhos não entregara?
31Porque a rocha deles não é como a nossa Rocha;
e os próprios inimigos o atestam.
32Porque a sua vinha é da vinha de Sodoma
e dos campos de Gomorra;
as suas uvas são uvas de veneno,
seus cachos, amargos;
33o seu vinho é ardente veneno de répteis
e peçonha terrível de víboras.
34Não está isto guardado comigo,
selado nos meus tesouros?
35A mim me pertence a vingançad, a retribuição,
a seu tempo, quando resvalar o seu pé;
porque o dia da sua calamidade está próximo,
e o seu destino se apressa em chegar.
36Porque o Senhor fará justiça ao seu povo
e se compadecerá dos seus servos,
quando vir que o seu poder se foi,
e já não há nem escravo nem livre.
37Então, dirá: Onde estão os seus deuses?
E a rocha em quem confiavam?
38Deuses que comiam a gordura de seus sacrifícios
e bebiam o vinho de suas libações?
Levantem-se eles e vos ajudem,
para que haja esconderijo para vós outros!
39Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente,
e mais nenhum deus além de mim;
eu mato e eu faço viver;
eu firo e eu saro;
e não há quem possa livrar alguém da minha mão.
40Levanto a mão aos céus
e afirmo por minha vida eterna:
41se eu afiar a minha espada reluzente,
e a minha mão exercitar o juízo,
tomarei vingança contra os meus adversários
e retribuirei aos que me odeiam.
42Embriagarei as minhas setas de sangue
(a minha espada comerá carne),
do sangue dos mortos e dos prisioneiros,
das cabeças cabeludas do inimigo.
43Louvai, ó nações, o seu povoe,
porque o Senhor vingará o sanguef dos seus servos,
tomará vingança dos seus adversários
e fará expiação pela terra do seu povo.
Cross references
Copyright 1993 Sociedade Bíblica do Brasil