Marcos 1–8
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11Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
2Conforme está escrito na profecia de Isaías:
Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminhoa;
3voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredasb;
4apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados. 5Saíam a ter com ele toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. 6As vestes de João eram feitas de pelos de cameloc; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.
7E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias. 8Eu vos tenho batizado com1 água; ele, porém, vos batizará com1 o Espírito Santo.
9Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e por João foi batizado no rio Jordão. 10Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. 11Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amadod, em ti me comprazoe.
12E logo o Espírito o impeliu para o deserto, 13onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.
14Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, 15dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deusf está próximo; arrependei-vosg e crede no evangelho.
16Caminhando junto ao mar da Galileia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. 17Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. 18Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. 19Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. 20E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus.
21Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. 22Maravilhavam-seh da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. 23Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: 24Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! 25Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. 26Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele. 27Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! 28Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galileia.
29E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. 31Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los.
32À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados. 33Toda a cidade estava reunida à porta. 34E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.
35Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. 36Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. 37Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. 38Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. 39Então, foi por toda a Galileiai, pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.
40Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. 41Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! 42No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. 43Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu 44e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferecej pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. 45Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele.
A cura de um paralítico em Cafarnaum
21Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. 2Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. 3Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. 4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente. 5Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. 6Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? 8E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 9Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? 10Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados —disse ao paralítico: 11Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 12Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
13De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava. 14Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.
15Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam. 16Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? 17Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.
18Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? 19Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. 20Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. 21Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.
23Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigasa. 24Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? 25Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotesb, e deu também aos que estavam com ele?c 27E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; 28de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.
O homem da mão ressequida
31De novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma das mãos. 2E estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem. 3E disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio! 4Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio. 5Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada. 6Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida.
7Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galileia uma grande multidão. Também da Judeia, 8de Jerusalém, da Idumeia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele. 9Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem. 10Pois curava a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para o tocar.a 11Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus! 12Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.
13Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. 14Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar 15e a exercer a autoridade de expelir demônios. 16Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; 17Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, 19e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.
20Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer. 21E,…
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Notas de rodapé
- 1com; ou em
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