Salmo 73.título–83.18
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Salmo de Asafe
731Com efeito, Deus é bom para com Israel,
para com os de coração limpo.
2Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés;
pouco faltou para que se desviassem os meus passos.
3Pois eu invejava os arrogantes,
ao ver a prosperidade dos perversos.
4Para eles não há preocupações,
o seu corpo é sadio e nédio.
5Não partilham das canseiras dos mortais,
nem são afligidos como os outros homens.
6Daí, a soberba que os cinge como um colar,
e a violência que os envolve como manto.
7Os olhos saltam-lhes da gordura;
do coração brotam-lhes fantasias.
8Motejam e falam maliciosamente;
da opressão falam com altivez.
9Contra os céus desandam a boca,
e a sua língua percorre a terra.
10Por isso, o seu povo se volta para eles
e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.
11E diz: Como sabe Deus?
Acaso, há conhecimento no Altíssimo?
12Eis que são estes os ímpios;
e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.
13Com efeito, inutilmente conservei puro o coração
e lavei as mãos na inocência.
14Pois de contínuo sou afligido
e cada manhã, castigado.
15Se eu pensara em falar tais palavras,
já aí teria traído a geração de teus filhos.
16Em só refletir para compreender isso,
achei mui pesada tarefa para mim;
17até que entrei no santuário de Deus
e atinei com o fim deles.
18Tu certamente os pões em lugares escorregadios
e os fazes cair na destruição.
19Como ficam de súbito assolados,
totalmente aniquilados de terror!
20Como ao sonho, quando se acorda,
assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles.
21Quando o coração se me amargou
e as entranhas se me comoveram,
22eu estava embrutecido e ignorante;
era como um irracional à tua presença.
23Todavia, estou sempre contigo,
tu me seguras pela minha mão direita.
24Tu me guias com o teu conselho
e depois me recebes na glória.
25Quem mais tenho eu no céu?
Não há outro em quem eu me compraza na terra.
26Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,
Deus é a fortaleza do meu coração
e a minha herança para sempre.
27Os que se afastam de ti, eis que perecem;
tu destróis todos os que são infiéis para contigo.
28Quanto a mim, bom é estar junto a Deus;
no Senhor Deus ponho o meu refúgio,
para proclamar todos os seus feitos.
Lamento por causa da profanação
Salmo didático de Asafe
741Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre?
Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?
2Lembra-te da tua congregação, que adquiriste desde a antiguidade,
que remiste para ser a tribo da tua herança;
lembra-te do monte Sião, no qual tens habitado.
3Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas,
tudo quanto de mau tem feito o inimigo no santuário.
4Os teus adversários bramam no lugar das assembleias
e alteiam os seus próprios símbolos.
5Parecem-se com os que brandem machado no espesso da floresta,
6e agora a todos esses lavores de entalhe
quebram também, com machados e martelos.
7Deitam fogo ao teu santuário;
profanam, arrasando-a até ao chão, a morada do teu nome.
8Disseram no seu coração: Acabemos com eles de uma vez.
Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra.
9Já não vemos os nossos símbolos;
já não há profeta;
nem, entre nós, quem saiba até quando.
10Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará?
Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome?
11Por que retrais a mão, sim, a tua destra,
e a conservas no teu seio?
12Ora, Deus, meu Rei, é desde a antiguidade;
ele é quem opera feitos salvadores no meio da terra.
13Tu, com o teu poder, dividiste o mara;
esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos.
14Tu espedaçaste as cabeças do crocodilob
e o deste por alimento às alimárias do deserto.
15Tu abriste fontes e ribeiros;
secaste rios caudalosos.
16Teu é o dia; tua, também, a noite;
a luz e o sol, tu os formaste.
17Fixaste os confins da terra;
verão e inverno, tu os fizeste.
18Lembra-te disto: o inimigo tem ultrajado ao Senhor,
e um povo insensato tem blasfemado o teu nome.
19Não entregues à rapina a vida de tua rola,
nem te esqueças perpetuamente da vida dos teus aflitos.
20Considera a tua aliança,
pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de violência.
21Não fique envergonhado o oprimido;
louvem o teu nome o aflito e o necessitado.
22Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;
lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias.
23Não te esqueças da gritaria dos teus inimigos,
do sempre crescente tumulto dos teus adversários.
Deus é juiz
Ao mestre de canto, segundo a melodia “Não destruas”. Salmo de Asafe. Cântico
751Graças te rendemos, ó Deus; graças te rendemos,
e invocamos o teu nome, e declaramos as tuas maravilhas.
2Pois disseste: Hei de aproveitar o tempo determinado;
hei de julgar retamente.
3Vacilem a terra e todos os seus moradores,
ainda assim eu firmarei as suas colunas.
4Digo aos soberbos: não sejais arrogantes;
e aos ímpios: não levanteis a vossa força.
5Não levanteis altivamente a vossa força,
nem faleis com insolência contra a Rocha.
6Porque não é do Oriente, não é do Ocidente,
nem do deserto que vem o auxílio.
7Deus é o juiz;
a um abate, a outro exalta.
8Porque na mão do Senhor há um cálice
cujo vinho espuma, cheio de mistura;
dele dá a beber;
sorvem-no, até às escórias,
todos os ímpios da terra.
9Quanto a mim, exultarei para sempre;
salmodiarei louvores ao Deus de Jacó.
10Abaterei as forças dos ímpios;
mas a força dos justos será exaltada.
A majestade e o poder de Deus
Ao mestre de canto, com instrumentos de cordas. Salmo de Asafe. Cântico
761Conhecido é Deus em Judá;
grande, o seu nome em Israel.
2Em Salém, está o seu tabernáculo,
e, em Sião, a sua morada.
3Ali, despedaçou ele os relâmpagos do arco,
o escudo, a espada e a batalha.
4Tu és ilustre e mais glorioso
do que os montes eternos.
5Despojados foram os de ânimo forte;
jazem a dormir o seu sono,
e nenhum dos valentes
pode valer-se das próprias mãos.
6Ante a tua repreensão, ó Deus de Jacó,
paralisaram carros e cavalos.
7Tu, sim, tu és terrível;
se te iras,
quem pode subsistir à tua vista?
8Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo;
tremeu a terra e se aquietou,
9ao levantar-se Deus para julgar
e salvar todos os humildes da terra.
10Pois até a ira humana há de louvar-te;
e do resíduo das iras te cinges.
11Fazei votos e pagai-os ao Senhor, vosso Deus;
tragam presentes todos os que o rodeiam,
àquele que deve ser temido.
12Ele quebranta o orgulho dos príncipes;
é tremendo aos reis da terra.
As grandes obras e a misericórdia de Deus
Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Asafe
771Elevo a Deus a minha voz e clamo,
elevo a Deus a minha voz, para que me atenda.
2No dia da minha angústia, procuro o Senhor;
erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam;
a minha alma recusa consolar-se.
3Lembro-me de Deus e passo a gemer;
medito, e me desfalece o espírito.
4Não me deixas pregar os olhos;
tão perturbado estou, que nem posso falar.
5Penso nos dias de outrora,
trago à lembrança os anos de passados tempos.
6De noite indago o meu íntimo,
e o meu espírito perscruta.
7Rejeita o Senhor para sempre?
Acaso, não torna a ser propício?
8Cessou perpetuamente a sua graça?
Caducou a sua promessa para todas as gerações?
9Esqueceu-se Deus de ser benigno?
Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?
10Então, disse eu: isto é a minha aflição;
mudou-se a destra do Altíssimo.
11Recordo os feitos do Senhor,
pois me lembro das tuas maravilhas da antiguidade.
12Considero também nas tuas obras todas
e cogito dos teus prodígios.
13O teu caminho, ó Deus, é de santidade.
Que deus é tão grande como o nosso Deus?
14Tu és o Deus que operas maravilhas
e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.
15Com o teu braço remiste o teu povo,
os filhos de Jacó e de José.
16Viram-te as águas, ó Deus;
as águas te viram e temeram,
até os abismos se abalaram.
17Grossas nuvens se desfizeram em água;
houve trovões nos espaços;
também as suas setas cruzaram de uma parte para outra.
18O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza;
os relâmpagos alumiaram o mundo;
a terra se abalou e tremeu.
19Pelo mar foi o teu caminho;
as tuas veredas, pelas grandes águas;
e não se descobrem os teus vestígios.
20O teu povo, tu o conduziste, como rebanho,
pelas mãos de Moisés e de Arão.
A providência divina na história do seu povo
Salmo didático de Asafe
781Escutai, povo meu, a minha lei;
prestai ouvidos às palavras da minha boca.
2Abrirei os lábios em parábolasa
e publicarei enigmas dos tempos antigos.
3O que ouvimos e aprendemos,
o que nos contaram nossos pais,
4não o encobriremos a seus filhos;
contaremos à vindoura geração
os louvores do Senhor, e o seu poder,
e as maravilhas que fez.
5Ele estabeleceu um testemunho em Jacó,
e instituiu uma lei em Israel,
e ordenou a nossos pais
que os transmitissem a seus filhos,
6a fim de que a nova geração os conhecesse,
filhos que ainda hão de nascer
se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes;
7para que pusessem em Deus a sua confiança
e não se esquecessem dos feitos de Deus,
mas lhe observassem os mandamentos;
8e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde,
geração de coração inconstante,
e cujo espírito não foi fiel a Deus.
9Os filhos de Efraim, embora armados de arco,
bateram em retirada no dia do combate.
10Não guardaram a aliança de Deus,
não quiseram andar na sua lei;
11esqueceram-se das suas obras
e das maravilhas que lhes mostrara.
12Prodígios fezb na presença de seus pais
na terra do Egito, no campo de Zoã.
13Dividiu o marc e fê-los seguir;
aprumou as águas como num dique.
14Guiou-os de dia com uma nuvemd
e durante a noite com um clarão de fogo.
15No deserto, fendeu rochase
e lhes deu a beber abundantemente como de abismos.
16Da pedra fez brotar torrentes,
fez manar água como rios.
17Mas, ainda assim, prosseguiram em pecar contra ele
e se rebelaram, no deserto, contra o Altíssimo.
18Tentaram a Deusf no seu coração,
pedindo alimento que lhes fosse do gosto.
19Falaram contra Deus, dizendo:
Pode, acaso, Deus preparar-nos…
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