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Psalm 73:title–89:52
O problema da prosperidade dos maus
73 1 Com efeito, Deus é bom para com Israel,
para com os de coração limpo.
2 Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés;
pouco faltou para que se desviassem os meus passos.
3 Pois eu invejava os arrogantes,
ao ver a prosperidade dos perversos.
4 Para eles não há preocupações,
o seu corpo é sadio e nédio.
5 Não partilham das canseiras dos mortais,
nem são afligidos como os outros homens.
6 Daí, a soberba que os cinge como um colar,
e a violência que os envolve como manto.
7 Os olhos saltam-lhes da gordura;
do coração brotam-lhes fantasias.
8 Motejam e falam maliciosamente;
da opressão falam com altivez.
9 Contra os céus desandam a boca,
e a sua língua percorre a terra.
10 Por isso, o seu povo se volta para eles
e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.
Acaso, há conhecimento no Altíssimo?
12 Eis que são estes os ímpios;
e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.
13 Com efeito, inutilmente conservei puro o coração
e lavei as mãos na inocência.
14 Pois de contínuo sou afligido
e cada manhã, castigado.
15 Se eu pensara em falar tais palavras,
já aí teria traído a geração de teus filhos.
16 Em só refletir para compreender isso,
achei mui pesada tarefa para mim;
17 até que entrei no santuário de Deus
e atinei com o fim deles.
18 Tu certamente os pões em lugares escorregadios
e os fazes cair na destruição.
19 Como ficam de súbito assolados,
totalmente aniquilados de terror!
20 Como ao sonho, quando se acorda,
assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles.
21 Quando o coração se me amargou
e as entranhas se me comoveram,
22 eu estava embrutecido e ignorante;
era como um irracional à tua presença.
23 Todavia, estou sempre contigo,
tu me seguras pela minha mão direita.
24 Tu me guias com o teu conselho
e depois me recebes na glória.
Não há outro em quem eu me compraza na terra.
26 Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,
Deus é a fortaleza do meu coração
e a minha herança para sempre.
27 Os que se afastam de ti, eis que perecem;
tu destróis todos os que são infiéis para contigo.
28 Quanto a mim, bom é estar junto a Deus;
no Senhor Deus ponho o meu refúgio,
para proclamar todos os seus feitos.
Lamento por causa da profanação
74 1 Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre?
Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?
2 Lembra-te da tua congregação, que adquiriste desde a antiguidade,
que remiste para ser a tribo da tua herança;
lembra-te do monte Sião, no qual tens habitado.
3 Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas,
tudo quanto de mau tem feito o inimigo no santuário.
4 Os teus adversários bramam no lugar das assembleias
e alteiam os seus próprios símbolos.
5 Parecem-se com os que brandem machado no espesso da floresta,
6 e agora a todos esses lavores de entalhe
quebram também, com machados e martelos.
7 Deitam fogo ao teu santuário;
profanam, arrasando-a até ao chão, a morada do teu nome.
8 Disseram no seu coração: Acabemos com eles de uma vez.
Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra.
9 Já não vemos os nossos símbolos;
já não há profeta;
nem, entre nós, quem saiba até quando.
10 Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará?
Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome?
11 Por que retrais a mão, sim, a tua destra,
e a conservas no teu seio?
12 Ora, Deus, meu Rei, é desde a antiguidade;
ele é quem opera feitos salvadores no meio da terra.
13 Tu, com o teu poder, dividiste o mara;
esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos.
14 Tu espedaçaste as cabeças do crocodilob
e o deste por alimento às alimárias do deserto.
15 Tu abriste fontes e ribeiros;
secaste rios caudalosos.
16 Teu é o dia; tua, também, a noite;
a luz e o sol, tu os formaste.
17 Fixaste os confins da terra;
verão e inverno, tu os fizeste.
18 Lembra-te disto: o inimigo tem ultrajado ao Senhor,
e um povo insensato tem blasfemado o teu nome.
19 Não entregues à rapina a vida de tua rola,
nem te esqueças perpetuamente da vida dos teus aflitos.
pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de violência.
21 Não fique envergonhado o oprimido;
louvem o teu nome o aflito e o necessitado.
22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;
lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias.
23 Não te esqueças da gritaria dos teus inimigos,
do sempre crescente tumulto dos teus adversários.
Ao mestre de canto, segundo a melodia “Não destruas”. Salmo de Asafe. Cântico
75 1 Graças te rendemos, ó Deus; graças te rendemos,
e invocamos o teu nome, e declaramos as tuas maravilhas.
2 Pois disseste: Hei de aproveitar o tempo determinado;
hei de julgar retamente.
3 Vacilem a terra e todos os seus moradores,
ainda assim eu firmarei as suas colunas.
4 Digo aos soberbos: não sejais arrogantes;
e aos ímpios: não levanteis a vossa força.
5 Não levanteis altivamente a vossa força,
nem faleis com insolência contra a Rocha.
6 Porque não é do Oriente, não é do Ocidente,
nem do deserto que vem o auxílio.
a um abate, a outro exalta.
8 Porque na mão do Senhor há um cálice
cujo vinho espuma, cheio de mistura;
dele dá a beber;
sorvem-no, até às escórias,
todos os ímpios da terra.
9 Quanto a mim, exultarei para sempre;
salmodiarei louvores ao Deus de Jacó.
10 Abaterei as forças dos ímpios;
mas a força dos justos será exaltada.
Ao mestre de canto, com instrumentos de cordas. Salmo de Asafe. Cântico
76 1 Conhecido é Deus em Judá;
grande, o seu nome em Israel.
2 Em Salém, está o seu tabernáculo,
e, em Sião, a sua morada.
3 Ali, despedaçou ele os relâmpagos do arco,
o escudo, a espada e a batalha.
4 Tu és ilustre e mais glorioso
do que os montes eternos.
5 Despojados foram os de ânimo forte;
jazem a dormir o seu sono,
e nenhum dos valentes
pode valer-se das próprias mãos.
6 Ante a tua repreensão, ó Deus de Jacó,
paralisaram carros e cavalos.
se te iras,
quem pode subsistir à tua vista?
8 Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo;
tremeu a terra e se aquietou,
9 ao levantar-se Deus para julgar
e salvar todos os humildes da terra.
10 Pois até a ira humana há de louvar-te;
e do resíduo das iras te cinges.
11 Fazei votos e pagai-os ao Senhor, vosso Deus;
tragam presentes todos os que o rodeiam,
àquele que deve ser temido.
12 Ele quebranta o orgulho dos príncipes;
é tremendo aos reis da terra.
As grandes obras e a misericórdia de Deus
Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Asafe
77 1 Elevo a Deus a minha voz e clamo,
elevo a Deus a minha voz, para que me atenda.
2 No dia da minha angústia, procuro o Senhor;
erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam;
a minha alma recusa consolar-se.
3 Lembro-me de Deus e passo a gemer;
medito, e me desfalece o espírito.
4 Não me deixas pregar os olhos;
tão perturbado estou, que nem posso falar.
trago à lembrança os anos de passados tempos.
6 De noite indago o meu íntimo,
e o meu espírito perscruta.
7 Rejeita o Senhor para sempre?
Acaso, não torna a ser propício?
8 Cessou perpetuamente a sua graça?
Caducou a sua promessa para todas as gerações?
9 Esqueceu-se Deus de ser benigno?
Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?
10 Então, disse eu: isto é a minha aflição;
mudou-se a destra do Altíssimo.
11 Recordo os feitos do Senhor,
pois me lembro das tuas maravilhas da antiguidade.
12 Considero também nas tuas obras todas
e cogito dos teus prodígios.
13 O teu caminho, ó Deus, é de santidade.
Que deus é tão grande como o nosso Deus?
14 Tu és o Deus que operas maravilhas
e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.
15 Com o teu braço remiste o teu povo,
os filhos de Jacó e de José.
as águas te viram e temeram,
até os abismos se abalaram.
17 Grossas nuvens se desfizeram em água;
houve trovões nos espaços;
também as suas setas cruzaram de uma parte para outra.
18 O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza;
os relâmpagos alumiaram o mundo;
a terra se abalou e tremeu.
19 Pelo mar foi o teu caminho;
as tuas veredas, pelas grandes águas;
e não se descobrem os teus vestígios.
20 O teu povo, tu o conduziste, como rebanho,
pelas mãos de Moisés e de Arão.
A providência divina na história do seu povo
78 1 Escutai, povo meu, a minha lei;
prestai ouvidos às palavras da minha boca.
2 Abrirei os lábios em parábolasa
e publicarei enigmas dos tempos antigos.
o que nos contaram nossos pais,
4 não o encobriremos a seus filhos;
contaremos à vindoura geração
os louvores do Senhor, e o seu poder,
e as maravilhas que fez.
5 Ele estabeleceu um testemunho em Jacó,
e instituiu uma lei em Israel,
e ordenou a nossos pais
que os transmitissem a seus filhos,
6 a fim de que a nova geração os conhecesse,
filhos que ainda hão de nascer
se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes;
7 para que pusessem em Deus a sua confiança
e não se esquecessem dos feitos de Deus,
mas lhe observassem os mandamentos;
8 e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde,
geração de coração inconstante,
e cujo espírito não foi fiel a Deus.
9 Os filhos de Efraim, embora armados de arco,
bateram em retirada no dia do combate.
10 Não guardaram a aliança de Deus,
não quiseram andar na sua lei;
11 esqueceram-se das suas obras
e das maravilhas que lhes mostrara.
12 Prodígios fezb na presença de seus pais
na terra do Egito, no campo de Zoã.
13 Dividiu o marc e fê-los seguir;
aprumou as águas como num dique.
14 Guiou-os de dia com uma nuvemd
e durante a noite com um clarão de fogo.
15 No deserto, fendeu rochase
e lhes deu a beber abundantemente como de abismos.
16 Da pedra fez brotar torrentes,
fez manar água como rios.
17 Mas, ainda assim, prosseguiram em pecar contra ele
e se rebelaram, no deserto, contra o Altíssimo.
18 Tentaram a Deusf no seu coração,
pedindo alimento que lhes fosse do gosto.
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