The Future of Bible Study Is Here.
Job 19:1–21:34
Jó, embora sofrendo, sabe que seu Redentor vive
19 1 Então, respondeu Jó:
2 Até quando afligireis a minha alma
e me quebrantareis com palavras?
3 Já dez vezes me vituperastes
e não vos envergonhais de injuriar-me.
4 Embora haja eu, na verdade, errado,
comigo ficará o meu erro.
5 Se quereis engrandecer-vos contra mim
e me arguis pelo meu opróbrio,
6 sabei agora que Deus é que me oprimiu
e com a sua rede me cercou.
7 Eis que clamo: violência! Mas não sou ouvido;
grito: socorro! Porém não há justiça.
8 O meu caminho ele fechou, e não posso passar;
e nas minhas veredas pôs trevas.
e tirou-me da cabeça a coroa.
10 Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou;
e arrancou-me a esperança, como a uma árvore.
11 Inflamou contra mim a sua ira
e me tem na conta de seu adversário.
12 Juntas vieram as suas tropas,
prepararam contra mim o seu caminho
e se acamparam ao redor da minha tenda.
13 Pôs longe de mim a meus irmãos,
e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim.
14 Os meus parentes me desampararam,
e os meus conhecidos se esqueceram de mim.
15 Os que se abrigam na minha casa
e as minhas servas me têm por estranho,
e vim a ser estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamo o meu criado, e ele não me responde;
tenho de suplicar-lhe, eu mesmo.
17 O meu hálito é intolerável à minha mulher,
e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe.
18 Até as crianças me desprezam,
e, querendo eu levantar-me, zombam de mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me abominam,
e até os que eu amava se tornaram contra mim.
20 Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne,
e salvei-me só com a pele dos meus dentes.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus,
compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu.
22 Por que me perseguis como Deus me persegue
e não cessais de devorar a minha carne?
23 Quem me dera fossem agora escritas as minhas palavras!
Quem me dera fossem gravadas em livro!
24 Que, com pena de ferro e com chumbo,
para sempre fossem esculpidas na rocha!
25 Porque eu sei que o meu Redentor vive
e por fim se levantará sobre a terra.
26 Depois, revestido este meu corpo da minha pele,
em minha carne verei a Deus.
os meus olhos o verão, e não outros;
de saudade me desfalece o coração dentro de mim.
28 Se disserdes: Como o perseguiremos?
E: A causa deste mal se acha nele,
porque tais acusações merecem o seu furor,
para saberdes que há um juízo.
Zofar descreve as calamidades dos perversos
20 1 Então, respondeu Zofar, o naamatita:
2 Visto que os meus pensamentos me impõem resposta,
eu me apresso.
3 Eu ouvi a repreensão, que me envergonha,
mas o meu espírito me obriga a responder segundo o meu entendimento.
4 Porventura, não sabes tu que desde todos os tempos,
desde que o homem foi posto sobre a terra,
5 o júbilo dos perversos é breve,
e a alegria dos ímpios, momentânea?
6 Ainda que a sua presunção remonte aos céus,
e a sua cabeça atinja as nuvens,
7 como o seu próprio esterco, apodrecerá para sempre;
e os que o conheceram dirão: Onde está?
8 Voará como um sonho e não será achado,
será afugentado como uma visão da noite.
9 Os olhos que o viram jamais o verão,
e o seu lugar não o verá outra vez.
10 Os seus filhos procurarão aplacar aos pobres,
e as suas mãos lhes restaurarão os seus bens.
11 Ainda que os seus ossos estejam cheios do vigor da sua juventude,
esse vigor se deitará com ele no pó.
12 Ainda que o mal lhe seja doce na boca,
e ele o esconda debaixo da língua,
13 e o saboreie, e o não deixe;
antes, o retenha no seu paladar,
14 contudo, a sua comida se transformará nas suas entranhas;
fel de áspides será no seu interior.
15 Engoliu riquezas, mas vomitá-las-á;
do seu ventre Deus as lançará.
língua de víbora o matará.
17 Não se deliciará com a vista dos ribeiros
e dos rios transbordantes de mel e de leite.
18 Devolverá o fruto do seu trabalho e não o engolirá;
do lucro de sua barganha não tirará prazer nenhum.
19 Oprimiu e desamparou os pobres,
roubou casas que não edificou.
20 Por não haver limites à sua cobiça,
não chegará a salvar as coisas por ele desejadas.
21 Nada escapou à sua cobiça insaciável,
pelo que a sua prosperidade não durará.
22 Na plenitude da sua abastança, ver-se-á angustiado;
toda a força da miséria virá sobre ele.
Deus mandará sobre ele o furor da sua ira,
que, por alimento, mandará chover sobre ele.
24 Se fugir das armas de ferro,
o arco de bronze o traspassará.
25 Ele arranca das suas costas a flecha,
e esta vem resplandecente do seu fel;
e haverá assombro sobre ele.
26 Todas as calamidades serão reservadas contra os seus tesouros;
fogo não assoprado o consumirá,
fogo que se apascentará do que ficar na sua tenda.
27 Os céus lhe manifestarão a sua iniquidade;
e a terra se levantará contra ele.
28 As riquezas de sua casa serão transportadas;
como água serão derramadas no dia da ira de Deus.
29 Tal é, da parte de Deus, a sorte do homem perverso,
tal a herança decretada por Deus.
Jó descreve a prosperidade dos perversos
21 1 Respondeu, porém, Jó:
2 Ouvi atentamente as minhas razões,
e já isso me será a vossa consolação.
e, havendo eu falado, podereis zombar.
4 Acaso, é do homem que eu me queixo?
Não tenho motivo de me impacientar?
e ponde a mão sobre a boca;
6 porque só de pensar nisso me perturbo,
e um calafrio se apodera de toda a minha carne.
7 Como é, pois, que vivem os perversos,
envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?
8 Seus filhos se estabelecem na sua presença;
e os seus descendentes, ante seus olhos.
9 As suas casas têm paz, sem temor,
e a vara de Deus não os fustiga.
10 O seu touro gera e não falha,
suas novilhas têm a cria e não abortam.
11 Deixam correr suas crianças, como a um rebanho,
e seus filhos saltam de alegria;
12 cantam com tamboril e harpa
e alegram-se ao som da flauta.
13 Passam eles os seus dias em prosperidade
e em paz descem à sepultura.
14 E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós!
Não desejamos conhecer os teus caminhos.
15 Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos?
E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
16 Vede, porém, que não provém deles a sua prosperidade;
longe de mim o conselho dos perversos!
17 Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos perversos?
Quantas vezes lhes sobrevém a destruição?
Quantas vezes Deus na sua ira lhes reparte dores?
18 Quantas vezes são como a palha diante do vento
e como a pragana arrebatada pelo remoinho?
19 Deus, dizeis vós, guarda a iniquidade do perverso para seus filhos.
Mas é a ele que deveria Deus dar o pago, para que o sinta.
20 Seus próprios olhos devem ver a sua ruína,
e ele, beber do furor do Todo-Poderoso.
21 Porque depois de morto, cortado já o número dos seus meses,
que interessa a ele a sua casa?
22 Acaso, alguém ensinará ciência a Deus,
a ele que julga os que estão nos céus?
despreocupado e tranquilo,
24 com seus baldes cheios de leite
e fresca a medula dos seus ossos.
25 Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração,
não havendo provado do bem.
onde os vermes os cobrem.
27 Vede que conheço os vossos pensamentos
e os injustos desígnios com que me tratais.
28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe,
e onde, a tenda em que morava o perverso?
29 Porventura, não tendes interrogado os que viajam?
E não considerastes as suas declarações,
30 que o mau é poupado no dia da calamidade,
é socorrido no dia do furor?
31 Quem lhe lançará em rosto o seu proceder?
Quem lhe dará o pago do que faz?
32 Finalmente, é levado à sepultura,
e sobre o seu túmulo se faz vigilância.
33 Os torrões do vale lhe são leves,
todos os homens o seguem,
assim como não têm número os que foram adiante dele.
34 Como, pois, me consolais em vão?
Das vossas respostas só resta falsidade.
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